Luiz Henrique Gurgel
Andar pela cidade de olhos abertos e ouvidos atentos. Observar as pessoas, anotar uma frase, fragmentos de uma boa história capturada ali, acolá ou no botequim enquanto toma café em copo, passado no coador de pano. Aproveitar uma conversa para relembrar situações e histórias vividas, que podiam dar samba. Fazer tudo isso ao mesmo tempo em que se vai criando e cantarolando a novidade pelo caminho, batucando numa caixa de fósforos.
Era mais ou menos desse jeito que João Rubinato, vulgo Adoniran Barbosa, costumava compor suas histórias musicais. Ele fazia crônica cantada sobre o dia-a-dia de gente simples, de linguajar próprio, forjado na original mistura do imigrante italiano com o sujeito do interior que veio tentar a vida na grande cidade. E assim cantava a triste história de Iracema, atropelada porque travessou na contramão, vinte dias antes do casamento; ou criava batucada sobre o desencontro na casa do Arnesto, que chamou para um samba, no Brás, e nem deu as caras; ou colocava numa melodia o sentimento de ter o peito transformado em tauba de tiro ao Álvaro, cheio de frechadas de um olhar; ou lembrava, num miniconto musicado, a sina de Joca e Mato Grosso, que ficaram na rua depois de expulsos da maloca; ou, ainda, como explicava para a namorada, num samba, que ia precisar deixá-la cedo, já que o último trem partia às 11 horas e a mãe não dormia enquanto ele não chegava.
A memória, um caderninho ou o papel de um maço de cigarros eram os equipamentos do cronista que não redigia em máquina de escrever e também não “entendia” de música. Tinha que cantar o que criava para alguém tirar a melodia num violão.
Foi a grande voz – mesmo que rouca e amarfanhada – das gentes e do mundo das ruas, território em que reinava. A cidade de São Paulo era o cenário. Mas os amores, as tristezas, as esperanças e os desenganos seguiram o mundo em francês, espanhol, italiano e até hebraico. É que a crônica de Adoniran é universal.
Veja Adoniran e Elis Regina, uma de suas maiores intérpretes, conversando e cantando num bar do Bexiga, em São Paulo, em 1978. Eles também dão uma volta pelo bairro que foi tema de tantos sambas de Adoniran.

Comentários
http://www.youtube.com/watch?v=33e6eprxc9w
http://escolajeny.blogspot.com.br/
Caros Valdízio e Carlos Donizete,
Não haverá prorrogação. O período para realização da Comissão Julgadora Escolar e envio de textos é de 10 de agosto a 03 de setembro de 2012. Após essa data, o sistema não aceitará a inserção de novos textos.
Infelizmente, os materiais impressos não chegaram a tempo para as escolas, no entanto, todo o material foi disponibilizado na comunidade virtual. A utilização do material enviado na edição de 2010 também foi recomendada, visto que os cadernos não sofreram nenhuma alteração.
Lamentamos que o prazo não seja suficiente para o envio dos textos, mas agradecemos o contato e a realização do trabalho, cujo objetivo é, sobretudo, a formação dos alunos.
Atenciosamente,
OLIMPÍADA
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