Olimpíada de Língua Portuguesa - Escrevendo o Futuro



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Autor: Helena Parente Cunha

Resenha por Heloisa Amaral

Nos últimos anos, a teoria dos gêneros de discurso inspirada nas reflexões de Bakhtin e outros, vêm alimentando a discussão sobre ensino de língua no Brasil e em outros países. Nessas discussões, são documentos de referência os PCN de Língua Portuguesa para o Ensino Fundamental e Médio. Neles, o conceito de gênero de discurso é discutido para além do que já era conhecido e utilizado na escola até então, ou seja, para além dos gêneros literários. Como os PCN enfatizam a necessidade de diversificar o ensino de gêneros na escola (necessidade que a equipe de trabalho da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro confirma), o risco que se corre é o de “esquecer” a importância do ensino de literatura para a formação humana.

Pretendemos trazer para discussão, nas próximas semanas, o ensino de gêneros literários. Por isso, consideramos importante retomar a história desse conceito. Encontramos um artigo que explora o assunto com propriedade e linguagem de fácil entendimento, escrito por Helena Parente Cunha e publicado em Os gêneros literários .

Nesse artigo, a autora retoma o conceito a partir de sua origem, os estudos dos filósofos Platão e Aristóteles na Grécia Antiga, cerca de quinhentos anos Antes de Cristo. Vê-se que a discussão acompanha a História da humanidade desde seus primeiros registros escritos. Esses filósofos foram os primeiros a classificar os gêneros literários, agrupando-os em gêneros narrativos divididos em os épicos e dramáticos. Essa classificação foi discutida e reformulada ao longo de mais de dois mil anos, o que trouxe para seu estudo complexidade e profundidade. Na época do Renascimento (séculos XIV e XVI), estudiosos acrescentaram aos dois grandes gêneros narrativos um terceiro grupo, o dos gêneros líricos, no qual se classificam os gêneros poéticos.

Os resultados desse longo estudo apresentam grandes controvérsias, mas continuam sendo indispensáveis para a compreensão de como podemos organizar o estudo e o ensino dos gêneros literários. De acordo com a autora, é possível continuar usando a antiga classificação se considerarmos que a designação de cada um dos três grupos pode ser vista como substantiva e como adjetiva:

Se adotarmos a divisão tripartida - lírico, épico e dramático - como encaixar nesses três compartimentos a multiplicidade da produção literária? Como classificar certos contos que adotam o procedimento do puro diálogo, peculiar à obra dramática? E certas composições dramáticas onde apenas comparece uma personagem em extenso monólogo? E as obras líricas de cunho narrativo ou em diálogo, ou ainda quando a emoção cede à reflexão? Não teria sentido instituir novas divisões, que cresceriam ilimitadamente, tal a desconcertante diversidade das obras. Como agir diante do impasse? (...) Os substantivos Lírica, Épica e Drama referem-se ao ramo em que se classifica a obra, de acordo com determinadas características formais. Os poemas de breve extensão que expressam estados de alma, se enquadram na Lírica. O relato ou apresentação de uma ação pertence à Épica, enquanto a representação da ação, movida por um dinamismo de tensão, se situa no Drama. Os adjetivos lírico, épico e dramático definem a essência, isto é, os traços característicos da obra, manifestados por seus fenômenos estilísticos.

A autora, em seu artigo, prossegue buscando uma classificação orientadora e indica como pertencentes à Lírica, por exemplo, o soneto, a ode, a balada; como parte da Épica, a epopéia, o romance, a novela, o conto; como parte do drama, a tragédia, a comédia, a tragicomédia e a farsa. No decorrer do artigo, a autora aprofunda especialmente o estudo dos gêneros líricos e épicos. Uma distinção que faz entre eles é que:

As obras líricas resultam da fusão entre o eu e o mundo, ao passo que as épicas se caracterizam primeiramente por um distanciamento entre o sujeito (narrador) e o objeto (mundo narrado). Convém ter em mente que todas as vezes que nos referimos a sujeito, eu, narrador, autor, objeto, mundo, tratamos de entidades fictícias do universo imaginário da obra literária. Enquanto o poeta lírico exprime seus estados de alma, envolvendo-se no que diz, o narrador se coloca numa situação de confronto em relação àquilo que conta. Ao invés da imprecisão de contornos do estado lírico, o mundo se firma e se oferece à perspectiva do narrador como ob-jeto, ou seja, etimologicamente, colocado em frente. A categoria do distanciamento instaura aqui um defrontar objetivo, estranho à essência lírica.

A leitura do artigo completo é interessante para dar fundamento às nossas escolhas de gêneros literários a serem trabalhados na escola.

Publicado em: 20/08/2009

 


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Comentários   

 
0 #5 MARIA JOSÉ A SILVA 13-07-2012 09:31
gostei bastante do artigo e vejo que ainda existe algumas dificuldades ao se introduzir
trabalhos a cerca dos conteúdos literários levando em consideração ,claro, os gêneros.
 
 
+1 #4 jeronimo lopes bomfim 20-06-2012 16:15
o texto do genero lirico faz o educando trabalhar a sua imaginaçao e desperta o interesse pela a leitura.
 
 
0 #3 Diego Pereira da Silva 24-05-2012 16:23
É sempre necessária uma reflexão, independentemen te de suas dimensões, em torno do trabalho com a literatura em sala de aula. Até mesmo porque a palavra, quando poética, não se presta àqueles que trabalham mediante a significação da origem etimológica deste verbo/atividade (trabalho: v. român. *tripaliare, do lat. tripalìum 'instrumento de tortura'). E, neste caso, devo ler Helena Parente Cunha, ou sua tese acerca da taxonomia dos gêneros literários. Devemos ler.

(Diego Pereira da Silva, Professor de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira e Redação nas cidades baianas de Monte Santo e Euclides da Cunha)
 
 
0 #2 Eslauka Pidorodeski 03-05-2012 20:04
CHEGOU EM BOA HORA, POIS É O QUE ESTOU TRATANDO NO MOMENTO NAS TURMAS DE 1°s ANOS DO CURSO MEDIO. AMPLIOU A MINHA VISAO.
GRATA
ESLAUKA PIDORODESKI
 
 
0 #1 IVAN LEITE 30-03-2012 08:21
[fv]Texto esclarecedor!!! [/fv]
 

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